Histórico

Desde os anos 80, a Psicologia Escolar/Educacional, dialogando com as críticas realizadas por diversas áreas do conhecimento como, por exemplo, as ciências sociais e a filosofia, tem criado outras formas de compreensão dos processos de produção das queixas escolares.

Este movimento redundou na elaboração de novas práticas de intervenção realizadas em serviços-escola de Psicologia e demais equipamentos de atenção em saúde mental. Práticas que consideram o homem como um ser social, em constante produção, que, ao mesmo tempo constitui e é constituído por relações das mais diversas ordens, entre elas, relações grupais e institucionais. Daí a necessidade de voltarmos nossa atenção também para a contribuição das dinâmicas institucionais e os processos de socialização que delas decorrem para que possamos compreender a complexa rede que tece cotidianamente a queixa escolar.

A realidade de nossas instituições de ensino de Psicologia e dos profissionais da área tem mostrado avanços, seja na busca de fundamentos teórico-metodológicos às questões que se colocam diante desse tipo de trabalho, seja na tentativa de desenvolver práticas mais adequadas às realidades sócio-políticas em que vivemos, que possam enfrentar processos de individualização e privatização dos sofrimentos.

Sabe-se, no entanto, o quanto o movimento de apropriação desses conhecimentos nas práticas de atendimento aponta para dificuldades em se superar a abordagem tradicional – atrelada a uma concepção de indivíduo abstrato e descolado de sua realidade social.

Muitas vezes, os psicólogos em formação são convidados a fazer a seguinte distinção: a consideração de aspectos institucionais, sociais, é necessária na realização de intervenções em “instituições”, sendo este referencial menos importante – ou até mesmo desnecessário – quando da realização de atendimentos “clínicos”. Diante desta realidade bastante comum nos cursos de Psicologia, instauram-se algumas perguntas:

  • O aporte teórico utilizado para compreender o fenômeno da queixa escolar deve mudar em função do lugar onde se realiza a intervenção?
  • Como construir intervenções que rompam com a aparente dicotomia indivíduo-sociedade, considerando, isto sim, sua mútua constituição?

Visando à construção de novas práticas e ao debate dos desafios presentes no atendimento a crianças e jovens que enfrentam dificuldades em seu processo de escolarização, têm-se reunido, em uma experiência de gestão compartilhada: psicólogos, docentes do ensino superior e profissionais afins, representantes de diversas instituições. Juntos, têm realizado estudos, debates, articulações, ações de mútuo fortalecimento e intervenções na sociedade.

Entre suas realizações, estão o I, o II e o III Encontro de Interinstitucional de Atendimento Psicológico à Queixa Escolar, ocorridos, respectivamente, em março de 2004, abril de 2005 e outubro de 2006. Estes eventos tiveram como objetivos conhecer, discutir e construir práticas de atendimento psicológico a crianças e jovens com queixa escolar que incorporem conhecimentos derivados da consideração do homem como ser social, que se humaniza nas relações grupais e institucionais e para quem, portanto, a escola tem um papel fundamental. Além disto, o grupo se reune periodicamente desenvolvendo atividades buscando cumprir os objetivos de ações de mútuo fortalecimento e intervenções na sociedade.

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